24 Janeiro 2011

De segunda a sexta

“Dia após dia na praia com olhos vazados de já não a ver
Quieto como um pescador a juntar seus anzois
Ou como algum salva-vidas no banco dos réus
Noite na praia deserta, deserta, deserta daquela mulher
Praia repleta de rastros em mil direções
Penso que todos os passos perdidos são meus”




Era para você ficar sabendo disso não agora, mas quando acordasse talvez, ou depois ainda, se você percebesse que eu não tinha deixado a louça suja do café da manhã, como tanto você se incomodava que eu fazia, menos pelo trabalho de lavar, que você não é e nunca foi dessas que não sujam a manga da camisa, mas mais porque é capaz que você pensou que eu realmente tivesse entrado nos seus eixos de querer me desmaleducar.
Ou então, se depois, uns passos a mais, você encontrasse seus chinelos, não embaixo das minhas montanhas de roupas sujas, mas bem ali, ao lado da cama, mais ou menos arrumada, e seria nesse momento que a minha falta caberia pelo encontro da pia seca. É mais uma questão de coerência estética que você gostou de se acostumar: o que era meu tomando espaço sempre, com liberdade, esparramando em tudo aquilo que agora só a você pertencia. Que só a mim pertence há algum tempo.
Eu não lembro como eram as coisas antes, mas eu tenho certeza que eu prefiro deste jeito.
Foi viagem tão de repente, e vai acontecer muitas outras mais; é uma questão de fazer repetido para o coração acostumar, mas isso não significa que para mim seja menos saudade ou seja menos solidão. No novo lugar, todos os cantos bonitos que eu vejo são seus por parentesco artístico do belo, por divulgação do desconcerto urbano, por divagação do modo de falar dessa gente nova que se transforma em você sempre que vejo algo bonito. Viajar é bom para te (re)conhecer por aí.




Meus olhos são as listras de Copacabana e têm cheiro de saudade.
Agora eu vou começar a história...











4 comentários:

Felipe Daguano disse...

:'-]

Anne Rego disse...

Que musica é essa no final? :) Amei!

Pablito disse...

''...No novo lugar, todos os cantos bonitos que eu vejo são seus por parentesco artístico do belo, por divulgação do desconcerto urbano, por divagação do modo de falar dessa gente nova que se transforma em você sempre que vejo algo bonito. Viajar é bom para te (re)conhecer por aí...''

Isso foi o que eu mais gostei de ler esse ano de 2011...


P E R F E I T O.


Invejei sobrehumanamente você.

Até mais!


Ouse e escreva mais!

Pablito!

Pablito disse...

Ps: que trilha sonora é essa? adorei!