02 Janeiro 2011

Compaixão



Eu pensei que nunca na minha vida fosse encontrar alguém como ele. Aquele cabelo desgrenhado todos os dias, os presentes fora de época – fora de qualquer época, fora da modernidade; tinha dias que ele me chegava com presentes do século X e

- Toma, é para você.
- E o que é isso?
- É um relógio de bolso.
- ...

eu simplesmente nunca sabia o que fazer com aquelas coisas. Aos poucos, eu mesma fui me dando conta do valor de cada livro com parágrafo marcado, de cada pedaço de torta de limão de todas as padarias do centro, de cada música que nos deixariam ricos e nunca mais teríamos que ficar preocupados em trabalhar na vida. Ele criou um monstro poético e foi o primeiro que fez por mim mais do que qualquer um poderia fazer antes dele; na essência, ele me observou e me descreveu com palavras bonitas. Pessoas assim são muito difíceis de encontrar, essas que me desaprendem a olhar o mundo.









Eu o conheci cedo demais. Se ele tivesse esperado um pouco mais, talvez teria dado tempo de eu fazer uma poesia também. Mas o final feliz é que eu estava errada, como sempre.
Sem comparação, fazendo observações de mim e doações de si, há quem consiga cobrir com um véu de paetê o rosto desesperador da Solidão invencível de forma ainda mais verossímil.

É mesmo um abuso de felicidade saber que invariavelmente você tem com quem contar. Alguém que olha para você seu mundo transtornado e lhe conta de uma forma mais fácil de encarar.











\\Carol Bonturi é piriguete na balada, tem profundidade, grande humor e uma raiva saudável.

6 comentários:

Felipe Daguano disse...

Que linda =]]

Francine Ribeiro disse...

Olha vc de volta! Gosto muito das suas palavras que sempre dizem um pouco de mim: "É mesmo um abuso de felicidade saber que invariavelmente você tem com quem contar." Adorei isso!

Que 2011 seja um ano de muitas palavras por aqui!

Sue Ellen disse...

como sempre, um texto incrível!

ps.: adorei sua definição. Sabe que também sou um tantão assim?

Sue Ellen disse...

como sempre, textos incríveis.

ps.: Adorei sua definição. Sabe que sou um tantão assim também? =)

Anônimo disse...

talvez esse não precise ser o final. Não?

Anônimo disse...

:~