
Enquanto você me atirava contra o armário, e me puxava a blusa, e me beijava ensandecidamente, o Universo inteiro se calou para ouvir a minha respiração ofegante. E, nesse silêncio que se fez, não pude deixar de pensar em como cada pessoa deseja coisas completamente diferentes mesmo dentro do mesmo contexto de enunciação; no caso, o contexto de enunciação é você tomando parte da minha roupa de cama, deixando ela com cheiro de perfume, beijando, beijando, beijando.
O que se passava na sua cabeça? Tudo em você transpirava sexo, mas eu insistia em oferecer uns beijinhos na ponta do nariz. Éramos dois personagens, cada qual com sua vontade, ali, cada qual se entretendo na sua própria vontade.
Se houvesse uma tecla de legenda para pensamentos, não sei se iria suportar ler “caralho, eu quero te comer”. Certamente, te mandaria embora, com todas as suas meias molhadas. Seria mais maluco ainda se eu lesse “que garota encantadora”. Porque daí eu me apaixonaria e cairia na cama com você.
“Boa noite, Linda”.
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(esquecido na pasta desde 01/2008)
