19 Agosto 2008

Foucault, Verdade e Vontade de Verdade




Enquanto você me atirava contra o armário, e me puxava a blusa, e me beijava ensandecidamente, o Universo inteiro se calou para ouvir a minha respiração ofegante. E, nesse silêncio que se fez, não pude deixar de pensar em como cada pessoa deseja coisas completamente diferentes mesmo dentro do mesmo contexto de enunciação; no caso, o contexto de enunciação é você tomando parte da minha roupa de cama, deixando ela com cheiro de perfume, beijando, beijando, beijando.

O que se passava na sua cabeça? Tudo em você transpirava sexo, mas eu insistia em oferecer uns beijinhos na ponta do nariz. Éramos dois personagens, cada qual com sua vontade, ali, cada qual se entretendo na sua própria vontade.

Se houvesse uma tecla de legenda para pensamentos, não sei se iria suportar ler “caralho, eu quero te comer”. Certamente, te mandaria embora, com todas as suas meias molhadas. Seria mais maluco ainda se eu lesse “que garota encantadora”. Porque daí eu me apaixonaria e cairia na cama com você.

“Boa noite, Linda”.





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(esquecido na pasta desde 01/2008)

14 Agosto 2008

ENIGMA


Depois de tudo o que houve, eu fiquei com fome.
Na frente da prefeitura de Campinas tem o dogão - da prefeitura. Eu pedi o meu bem simples, pra não passar de dois reais. E sentei nas escadarias da prefeitura sozinha.

Lá, fiquei pensando em um monte de coisas. Mas a mais óbvia - porque é muito importante se pensar no óbvio, eu acho -, a mais óbvia foi que eu fiquei tentando entender tudo o que eu tinha ouvido há alguns minutos atrás. Conversa longa. Um lugar-comum importante: Deus existe.
Sabe, DEUS?
Sim, ele.
Então.
Ele existe.

Eu não sei muito ao certo porque tudo isso aconteceu comigo, eu nunca fui uma pessoa de fé. Eu sempre dormia nas aulas da catequese e nunca entendi muito bem a distinção que se faz entre o bem e o mal. Mas Deus se materializou para mim.

Eu não consigo acertar uma convicção religiosa. Eu ainda não tenho fé. Eu não preciso ter fé, porque a “é uma firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos”. Eu tenho todas as provas.

[...]

Naquela quinta à tarde, talvez eu fosse a única pessoa sem fé ali dentro. E que mesmo assim acreditava com fervor.
E eu sei que muita gente pode achar isso bobagem. Eu também pensava assim. Faça uma experiência científica, então: reze um pai nosso, uma ave-maria e o “creio em deus pai” de noite. Faz isso pra você ver.

(Ou talvez seja melhor continuar desacreditando para que a experiência aconteça com você).

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PS: Eu também acho que um assunto como esse deveria ser mais elaborado. Mas é que se eu viajasse muito, ele poderia perder a sua essência completamente empírica e positivista. Ou simplesmente é falta de capacidade minha.