25 Janeiro 2008

Le fabuleux destin ou c'est juste un jour de chance



Todo o dia é bonito
Quando eu posso te ver
E cada vez que eu te vejo
Só desejo o melhor para você

Porque é assim,
Só quero dizer
Que tudo tem mais vida
Quando é só com você

É quase um amor
Nós dois somos tudo
E tudo é amor... no mundo.

Eu no caminho da escola
Vou pensando em falar
Alguma coisa que sirva
Para você me notar

Porque é assim,
Só quero dizer
Que tudo tem mais vida
Quando é só com você

É quase um amor
Nós dois somos tudo
E tudo é amor... no mundo.


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- É... Você não ia trabalhar hoje a tarde?
- Eu? Eu não! To fora. To de férias...
- Mas férias pra sempre?
- Ô bocó, e alguém fica de férias pra sempre?
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11 Janeiro 2008

Xou da Xuxa



Eu queria mesmo era ser paquita. Do tipo, loira, alta, olhos claros, cabelo liso e comprido de dar inveja em todas as baixinhas, gordinhas com dente separado que nem eu. Se eu fosse paquita, eu seria a menina mais popular da minha escola e o Pedro, o menino mais bonito da escola, iria me achar o máximo. O Pedro usa um cabelo com gel espetadinho e parece o carinha da malhação, o Fofuxo (Roger Gobet); além disso, ele anda de skate e sai na capa da revista como o melhor daquele campeonato. Todas as meninas gostam do Pedro.

Um dia eu beijei o Pedro. E acho que posso dizer que namoramos. Naquela idade, as coisas não tinham a seriedade que pairam acima dos relacionamentos. Depois que se faz 20 anos, namorar requer certas doses de companheirismo, fidelidade, carinho e respeito, das quais eu não fazia muita questão. Eu sei que eu cortaria meus pulsos pelo Pedro. Eu lembro toda a intensidade de sentimentos, e cartas, e músicas que fizeram parte daquela época.

A menina mais bonita da escola mesmo era a Micheli. Ela era igual a paquita. Filha única, usava as roupas mais legais do colégio. E era modelo. Acho que ela nem se dava conta do que acontecia no corredor depois que ela passava: todos os meninos meio que respiravam o ar que ela contaminava. Eu era amiga dela, mas, no fundo, eu acho que a odiava. Aliás, eu odiava todas as meninas que eram mais bonitas que eu – o que, no caso, eram muitas.

Sábado passava o programa da Xuxa para me zangar o coração. Além disso, as paquitas usavam um shortinho super curto (sem falar nas mini-saias da própria Xuxa), enquanto eu, com o joelho todo ralado de tanto cair de bicicleta e ficar soltando pipa até tarde, usava uma calça até a canela e uma camiseta emprestada dos meus primos. Aquilo não fazia muita diferença para mim, mas aos poucos e muito cedo, eu fui-me dando conta de que a feminilidade não me era própria. E, além disso, a raiva que eu sentia das meninas era, na verdade, porque eu estava apaixonada por elas: aqueles shortinhos das paquitas mexiam muito comigo, a ponto de eu vê-los ou imaginá-los nas minhas amigas. Talvez essa onda de homo/bissexualismo atual seja por conta dos programas da Xuxa. Talvez, nada! Eu tenho certeza que é: aflorou uma sexualidade inerte dentro dos fãs da loira belzebu.

Mas veio o Pedro. E ele dividiu um pouco as coisas. Eu comecei a pentear o cabelo para ir na aula, a usar sutiã (ao invés dos coletes) e entrei para o time de vôlei das super pops do colégio. Tudo foi para que ele olhasse para mim, mas me fez um bem imensurável. De alguma forma, todos os meus namorados contribuíram para a mulher que eu sou hoje. Se eu nunca tivesse namorado meninos, eu seria um tipo bem estranho hoje em dia. O meu último namorado, por exemplo, me fez gostar de maquiagem e de salto alto; enquanto o penúltimo me ensinou uns toques de como falar como uma garota. Aí é que me veio a sensação de que s sexualidade é uma coisa completamente social e que a idéia de o ser humano nascer com tendências bissexuais é perfeita. Sinceramente, me dá certa angústia em pensar como o meu próximo namorado me fará mais mulher; será que eu vou pintar o cabelo de loiro e comprar um fusca rosa?

Foi muito estranho encontrar o Pedro depois de tanto tempo. Depois de sete anos. É como se ele fosse uma ligação minha com tudo aquilo que eu não sou mais, com tudo aquilo de que eu nem faço questão. Ele me disse: “Você mudou muito”. Eu fingi que eu não ouvi. Mas sei exatamente do que ele está falando: eu sou quase uma paquita.

08 Janeiro 2008

au votre choix




... quando foi minha vez de escolher, eu fiquei com os dois. rá!

06 Janeiro 2008

Bisnaguinha com requeijão


I had feeling he was blaming me for something, and started to explain. But he cut me short.
“There´s no need to excuse yourself, my boy. I´ve looked up the record and obviously you weren´t in a position to see that she was properly cared for. She needed someone to be with her all the time, and young men in jobs like yours don´t get too much pay.”
- The Stranger. Albert Camus.

Entregar ou não entregar? That is the question.
Se eu entregar, eu me entrego junto com a caixinha do presente. Se eu não entregar, eu me transformo em menos de dois dias em um monge budista sem sentimentos. Afinal, o que se afigura no momento como muito importante é saber se vale mais ser uma velha sofrida de amor, porque lhe deixou afetar o coração em todas as oportunidades que teve ou se é mais sabido ser como um monge budista, que pouco se deixa afetar e, vivendo mais de cem anos, não conhece o poder de cura da dor. Da dor de amor.
No filme Amor nos Tempos do Cólera, a mãe de Florentino Ariza o toma nos braços e diz: Sofra, chore, chore muito meu filho. Só saberás o poder da dor, a potência desse sentimento enquanto fores jovem.

O mundo inteiro é uma grande prostituição. As relações sociais estão todas, sem exceção, cheias de (más) intenções. Eu fico triste por causa disso. A malícia não é meu ponto forte, e me deixo levar sem freios até o ponto de o sexo convidar para o abate. E então, tudo fica turvo, tudo o que era limpo e claro fica escuro. Todas as pessoas poderiam ser como anjos de verdade. Anjos de verdade.
Não vou entregar nada. Não por hoje. Porque Fermina rima com Carolina. E chove.

“Além disso, Hildebranda tinha uma concepção universal do amor, e achava que qualquer coisa que acontecesse com uma pessoa afetava todos os amores do mundo inteiro.”

*saudade da sua simples presença*

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Esse site aqui é do SOS Masp. Estão querendo transmitir ao governo a direção do museu, o qual anda mal-administrado pela iniciativa privada. Como um caso de rara exceção, concordo em passar a bola para o governo, dada a situação em que se encontra (haja visto o roubo recente dos dois quadros). Mas só dessa vez.
Dêem uma olhada. Cadastrem o seu voto por lá.
http://www.sosmasp.com.br/