No dia dos namorados, ao invés de comprar,
Eu vendo.
Vendo bem barato o meu ciúme-barato
Ciúme sujo de barata
De coisa barata
Que não vale nada.
Vendo as minhas fantasias esquizofrênicas
Confirmadas em mensagens encontradas
Por acaso
Na secretária eletrônica, na caixa dos correios, dentro do bolso do paletó, nas chamadas do celular, nas palavras enquanto dorme.
Enquanto dorme, o nome é outro.
E quando acorda, toma meu corpo.
Vendo a troco de nada
Seus telefonemas monossilábicos
Junto com todas as palavras bonitas que eu queria falar
- E não consigo – quando o silêncio toma.
Vendo os abraços e os beijos negados,
O rosto virado, que não voltam mais.
Os lábios cerrados querendo terminar
Os selinhos de fim
Quando queria continuar
Leve 2 e pague 1!
Por tudo o que contive e contenho
Por tudo o que não tenho
Para [você] sobressair.
Por tudo o que transformo e mascaro
Por tudo o que esqueço:
Um Alzheimer forçado na veia cava.
Vendo tudo isso, não há o que se fazer além de me vender.
Vendo, portanto. Não posso pagar este preço.