28 Dezembro 2006

It´s hard to hold a candle...

... BUT



E O QUE ERA PARA SER DITO, SE FEZ EM FORMAS E CORES.




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PATROCINADOR DA SEMANA: |conversa de elevador|

- Tenha uma boa noite.
- Para a senhora também.
- “Durma bem... se tiver com quem.”
- Eu não tenho.
- Eu também não.

A vontade que deu foi de me deitar com a velhinha. Ô se foi.

21 Dezembro 2006

Inveja das Gueixas

Não me sinto bem apesar de os meus olhos mentirem descaradamente.
Há sempre em mim um certo sorriso confuso e um brilho desfocado no olhar sempre...
Uma vontade de sumir simplesmente; um medo horrível de deixar de ser vista.
É nessas horas que eu começo a fazer minhas loucuras inconseqüentes.
O vazio que mora cá dói, dói e seca embora tenha a nítida impressão de que sou uma menina de sorte. Será assim com todas as meninas-de-sorte?


O calor que se faz nessa época do ano me deixa de certa forma com o rosto desfigurado. O Sol incide forte e eu não me lembro onde deixei nenhum dos óculos escuros. É mais ou menos quando o calor se faz mais intenso que saio do trabalho em busca de comida, cama, banho. Encontro tudo isso na minha casa.
Até lá eu tomei uma van meio estreita com estofado de plástico, que me fazia sentir muito mais quente. Eu observo o suor escorrendo no corpo de todas as pessoas que estão em pé e é meio que uma dança, um valsa, um allegro. Tudo fica muito barulhento com a van lotada e os vidros abertos, mas algo no banco a nordeste me chama atenção.
Sentado no colo do irmão mais velho, estava um menino hipnotizante de uns 10 anos. Talvez um pouco menos, um pouco mais. Mas o que realmente importa é que ele me olhou e sorriu. Não foi um sorriso infantil. Aquela boca carnudinha era uma visão do céu, eu não esqueço... Era mulato. E não tirava os olhos de mim. Talvez ele tinha menos de 10 anos, mas eu disse que não importa. Acho que eram 8 anos. Eu não sei.
Por que é que não podia me transformar numa garotinha assim, de repente, e num repente morder aqueles lábios? Com toda a minha força...

Na hora de ir embora, ele pisou o meu pé.
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Assim, como dois animais do reino animal: ela, um mamífero; ele, uma ave. A cena eu não sei dizer, mas era diferente de um rancho afastado. Era em um castelo medieval no centro de São Paulo e ela se vestia como uma dançarina de can-can enquanto ele ficava sem camisa. A fotografia seria bella se fosse um filme. A luz caía bem sobre os corpos e ela deixava a janela aberta para poder se refrescar.
Fazia um silencio dentro. Era exatamente como aquele silêncio que se faz quando mergulhamos na água.

Aquela sensação de isolamento do mundo se dava e se deu. E ela se deu para ele. E ele se deu para ela. Isoladamente.


.aindaépouco,indaépouco,indépoco.


Quando o espetáculo acabava, a casa noturna tinha que se fechar, os barões todos da cidade seguiam o seu rumo, entravam no coche e seguiam pelas ruas até a porta de suas casas onde a esposa dormia, doce, nos lençóis brancos de algodão.
Ela seguia direto para o camarim, aquele luxo noturno se tinha todo esvaído por entre suas coxas e tudo o que restava, tudo o que ela via agora era luz, luz e os seus olhos borrados e a sua pele pálida e a sua boca vermelha e sua fome, fome. Não adiantava correr, tampouco se refugiar no porão. O banho não adiantava. O banho acordava e tudo o que ela queria era continuar dormindo, dormindo, acordar e dormir, sem interrupção, sem dia, sem coche, sem lençóis brancos, ela só queria descansar em algum lugar acolhedor.
De frente para o espelho, começa seu ritual de passagem. Aquela que se faz em frente ao espelho do retrovisor. Cada vez que a bucha passava na sua face, o pó saía sujando a água, ela se esquecia de algum momento mais particular. Todos os momentos particulares, todas as partículas de sentimento devem ser apagadas. A água tomava uma coloração de sangue porque isso rasgava a sua alma e todas as atrizes têm a alma à flor da pele.
O Sol nunca batia dentro do seu quarto porque ela tinha fechado todas as cortinas e o que se via era um leve notar de silhueta. Tinha uma bella silhueta ela. Boa de olhar. Curiosamente, abriu a janela e viu do outro lado uma gueixa.
As gueixas são as acompanhantes dos senhores ricos e desacompanhados. E só. O universo das gueixas se confunde com o universo das artes – seja a arte do canto, da dança, da conversa ou da sedução; não há apelos físicos.
Que inveja que ela tinha das gueixas! As gueixas podem ir ao cinema. As gueixas podem passear de mãos dadas. As gueixas recebem cortesias delicadas. As gueixas são convidadas para jantar. As gueixas recusam a oferta. As gueixas recebem cafuné quando acordam. As gueixas recebem girassóis. As gueixas são lembradas antes do dormir.

Ela não disse nada. Não tinha o que dizer. A vida dentro do cabaré era a sua própria casa. As rendas, os laços, o cetim, o rouge, o lápis preto nos olhos, o blush, tudo aquilo era ela. Ela não falou nada. Ela não sentiu nada. Era só um sentimento de vazio e sentimentos vazios tomam o lugar, aos poucos, dos sonhos dela.

Nessa hora, ela punha uma sapatilha nova e pintava a boca de rouge enquanto ele desabotoava o paletó.







-.enquanto ainda é cedo. 9 anos, 13 dias.

09 Dezembro 2006

Pra nunca mais esquecer


Ninho

Eu vejo o seu cabelo desarrumado
Eu sinto seu cheiro de malícia
Eu ouço a sua respiração torporosa
Eu acho graça nessa condição
Eu vejo sua força de vencer
Eu admiro tudo isso em você
Eu sei quando está olhando para mim
Eu imagino tudo o que pensa
Eu acerto.
Eu vejo um futuro, passado, presente
Eu sei que você não se dá conta de nada disso
Eu sei dos seus desmazelos
Eu sei que você não sabe o que é desmazelo
Eu explico.
Eu vejo você por dentro e por fora
Eu te amo
Eu quero continuar um pouco mais
Eu sei que esse um pouco é “só um pouquinho”
Eu vejo você chegar
Eu vejo você me beijar
Eu vejo você rir
"..and I think to myself: What a wonderful world!"

02 Dezembro 2006

POR VOCÊ...


= Cama, Vento, Árvore, Incenso, Risadas, Cartas, Olhos, Toques, Lábios, Ombros, RI =
Tem horas que eu me pergunto
Por que é que não se junta tudo numa coisa só?
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Para escrever alguns tipos de coisa, eu tenho que tirar toda a roupa. Só assim, desnuda, totalmente, da mágoa, da raiva, do medo é que eu realmente consigo voltar para cá. Já tinha um texto pronto, mas textos prontos já foram escritos e são passado. É nessa hora em que eu me lembro que contei um dia prum caboclo difícil que nunca se passa duas vezes pelo mesmo rio: o rio é outro, você é outro. E essa é uma verdade física que se repete a cada instante do tempo, mesmo que este ainda tenda a 0. Daí que decidi escrever de novo.


Eu sou tão boba que ligo Chico para ficar doendo sem razão. Eu sei que o que tinha de ser se deu, porque era ele. E porque é ele, ainda dói mais de esperança. E, naturalmente, eu sorrio porque é ele. E troco de roupa. Danço com um pé atrás porque é para ele. Tomo banho na frente dele. Porém nunca me importei com as amantes do olhos infantis dele. Com tantos filmes e poesias na minha frente é natural que toda atriz se levante de pé e se ajoelhe sem pedir perdão. E é só porque é com ele...
Mas quando eu choro não sei se é dos olhos para fora. Eu nem sei se estou mesmo aqui. E quando eu me jogo na sua cama, eu faço cinema, eu faço um filme em mim. Eu posso ser mil e não existe outra igual. Será meramente mais um personagem efêmero da minha trama? Mas cada vez que o perdão me clama, eu faço cinema, eu faço um filme do gênero que quiser, porque sou dele. Eu nem sei se ele sabe o que fez, quando fez meu peito cantar outra vez... Eu nem sei se ele me quer bem, mas me fez um bem que ninguém me fez. E é só com esse bem que eu faço cinema, faço cinema, faço poesia. Um curta-metragem ainda assim é bom pra mim, porque é com ele. Quando eu o encaro de repente, desato os cabelos e eu sabia meu Deus, eu jurei por Deus não morrer por amor. Mas quando eu juro por Deus eu não sei nem por qual Deus eu juro e me sinto enganada outra vez. Não me leve a mal, me leve à-toa pela última vez para tomar um açaí. Não me leve a sério. Acho que você assim, de leve, deveria me levar apenas para andar na lagoa. Meu coração parece que arrancou um pedaço, mas não me leve a sério, nem se esqueça de pressa. Eu me retiro na ponta dos pés... E volto dançando de volta. Mas é só porque é para ele...

Eu era ele. E no centro da Terra tudo o que não era ele se desvaneceu...


~ Que futuro tem aquela gente toda que se arrasta atrás de ti? É fim de linha. E quem me conta é uma meretriz cujos olhos ainda carregam o rímel daquela noite. E ela cora toda vez que me vê.
Não era nada disso que eu queria escrever. Mas caíram tantas serpentinas pelo céu e, como me foram dadas 7 vidas, me restam ainda 6.