
Não. Não me apaixone assim logo de manhã. É nesse exato momento que eu sento na padaria movimentada e peço um suco de laranja com bauru. Só peço Bauru porque gosto de tomate. Ainda estava faminta enquanto o lanche não chegava, mas caí na besteira de lembrar a nossa última e primeira noite. O estômago revirou inteiro, perdi a fome completamente só de lembrar da gente dançando junto. Meu estômago não revira quando penso em você; isso só acontece quando penso na gente.
Fotografias daquela noite não me saem da cabeça. Você estava deliciosamente incrível e a luz sequer era a adequada.
“Perfeita!”, foi o seu tchau. Eu não queria parar de te beijar...
“- O neguinho, me dá um pingado e um pão de queijo!”, disse a senhora mal-humorada que chegou do meu lado esquerdo. E com ela, o bauru. Eu já nem tinha fome, mas precisava comer. É meu primeiro dia de emprego. E é aí que penso se meu coração não fica no estômago. Pois então encherei meus sentimentos com pão, 2 fatias de queijo, 2 fatias de presunto e 4 rodelas de tomate.
- Você prefere pão francês ou pão de hambúrguer?
- Francês...
O ônibus passa a cada dez minutos. Dois ônibus depois, resolvi pagar a conta: R$ 6,30. Entro num mundo que ainda não é meu, numa rotina que me foi concebida assim de supetão. De quem é mesmo o lugar em que me sentei? Quem foi que ficou de pé por minha causa? Aprendendo a roubar os presentes da vida... começando por um banco de ônibus. Agora, um banco de praça. Depois, quem sabe, o Banco Central? Rárárá. Bocó.
Todas as coisas me são permitidas.
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Hey pato roco, preparei seu requiem:
UM AMOR DO CARALHO
Junto com a minha menstruação
Ficou também no vaso
O meu amor por você.
LOVE MAKES YOU UGLY!
