24 Outubro 2006

AMOR DO CARALHO


Não. Não me apaixone assim logo de manhã. É nesse exato momento que eu sento na padaria movimentada e peço um suco de laranja com bauru. Só peço Bauru porque gosto de tomate. Ainda estava faminta enquanto o lanche não chegava, mas caí na besteira de lembrar a nossa última e primeira noite. O estômago revirou inteiro, perdi a fome completamente só de lembrar da gente dançando junto. Meu estômago não revira quando penso em você; isso só acontece quando penso na gente.

Fotografias daquela noite não me saem da cabeça. Você estava deliciosamente incrível e a luz sequer era a adequada.
“Perfeita!”, foi o seu tchau. Eu não queria parar de te beijar...

“- O neguinho, me dá um pingado e um pão de queijo!”, disse a senhora mal-humorada que chegou do meu lado esquerdo. E com ela, o bauru. Eu já nem tinha fome, mas precisava comer. É meu primeiro dia de emprego. E é aí que penso se meu coração não fica no estômago. Pois então encherei meus sentimentos com pão, 2 fatias de queijo, 2 fatias de presunto e 4 rodelas de tomate.

- Você prefere pão francês ou pão de hambúrguer?
- Francês...

O ônibus passa a cada dez minutos. Dois ônibus depois, resolvi pagar a conta: R$ 6,30. Entro num mundo que ainda não é meu, numa rotina que me foi concebida assim de supetão. De quem é mesmo o lugar em que me sentei? Quem foi que ficou de pé por minha causa? Aprendendo a roubar os presentes da vida... começando por um banco de ônibus. Agora, um banco de praça. Depois, quem sabe, o Banco Central? Rárárá. Bocó.
Todas as coisas me são permitidas.

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Hey pato roco, preparei seu requiem:

UM AMOR DO CARALHO

Junto com a minha menstruação
Ficou também no vaso
O meu amor por você.

LOVE MAKES YOU UGLY!

12 Outubro 2006

Recherche du temps perdu


Você deixou ela falar mal de mim. Ela, a outra. E tudo cá em mim transbordou além da perfeição das coisas. Tudo transbordou cá dentro de mim. E destruiu a perfeição das coisas. As coisas. As nossas coisas! Você se lembra das nossas coisas? Alguma vez você parou para contar as nossas coisas? São tantas!!! As nossas coisas não transbordam mais. Mais nada.
Você deixou... eu não acredito. Mas eu vi, então porque é mesmo que eu insisto em me achar louca? Está tudo assim tão claro. Está tudo pulando em mim. Você deixou que me tocassem. Isso é uma heresia. Foi.

Estou transbordada. Nenhuma lágrima. Nenhuma palpitação. Nenhum “chilique”. Não há nada mais. Você perdeu a dignidade. E eu assisto ao seu velório com a minha dignidade de baronesa. Je suis la baronne.