26 Setembro 2006



Pater noster, qui es in caelis,
Sanctificétur nomen tuum,
Advéniat regnum tuum,
Fiat volúntas tua,
sicut in caelo, et in terra.

Panem nostrum quotidiánum da nobis hódie.
Et dimítte nobis débita nostra,
sicut et nos dimíttimus debitóribus nostris.
Et ne nos indúcas in tentatiónem.
Sed líbera nos a malo.
Amem.

ALGUMA DESSAS LINHAS VÃO PARAR NAS MINHAS COSTAS. AINDA NÃO DECIDI QUAL...

18 Setembro 2006

Clowns de Shakespeare

De repente entrou um palhaço dentro do ônibus. Eu estava com a cabeça dependurada, morrendo de sono, mas acordei com ele gritando “Bom dia, pessoal!”. Mas ninguém respondeu. “Eu quero um bom dia bem alegre, vamos lá: bOOOOOOOOm diAAAAA!”.

Nada. Seis horas da tarde, aquele congestionamento horrível na av. Brasil. Quem era mesmo aquele cara que insistia em falar com as almas engarrafadas? Eu estava lá no fundão, mas ergui a cabeça bem alto e dei um sorriso, a fim de que ele se acalmasse, não saísse correndo com tamanha frieza do mundo, só para ele saber que eu estava prestando atenção nele. Ele não olhou para mim.

Começou com umas brincadeiras muito legais, daquelas de esconder as coisas e depois achar novamente (eu adoro!). ninguém ria. Ninguém dava muita bola. Eu estava lá olhando tudo e rindo, mas ele não olhava para mim. Deu dó. Deu muito dó. Muito dó de todas aquelas pessoas dentro do ônibus que não sabiam se divertir, que se misturavam com a palidez acinzentada do banco de ônibus e nem se mexiam. Tinha um menino com uma camiseta escrito em letras garrafais: QUIMICA – UNICAMP. Ele estava atrás do palhaço, assim, como daqui e ali, e não levantou os olhos nem por um momento das folhas que trazia consigo. Ele não teve coragem nem de ver quem era a criatura que estava gritando ao lado dele.

A cena me comoveu muito. Na verdade, até agora eu me sinto meio chocada, mas não acerto o motivo. Depois de mostrar uma porrada de fotos do trabalho que ele faz nos hospitais, pediu uma contribuição espontânea pelo seu trabalho. Todos no ônibus estavam esperando por isso, mas ele se alongou na história antes de chegar a pedir dinheiro.

Enquanto ele apanhava alguns 10 centavos ou um “num tenho, moço”, fucei desesperada na minha bolsa procurando um bilhete e uma caneta. Escrevi:

EU ADORO PALHAÇOS.
PARABÉNS PELO SEU TRABALHO!

E, junto, acrescentei uma nota de 1 real.

Ainda me sinto devendo alguma coisa para ele. Eu deveria ter respondido: “BoOOOOOOOoom DIAAAAAAA”. Mas não fiz.
Me perdoa, palhaço?

17 Setembro 2006

Vida fácil


Eu estou zen. Em paz.
Hoje foi um dia excelente! E toda energia está cá dentro de mim me fazendo ficar encantada...
Nada é melhor que dizer a verdade.
Nada é melhor que madrugada úmida.
Nada é melhor que vinho bom grátis.
Nada é melhor que barra de chocolate.
Nada é melhor que ouvir Cazuza.
Nada é melhor que estar com um amigo.
Nada é melhor que um bom abraço.
E melhor ainda é fazer tudo isso de uma vez, voltando para casa depois de um dia de trabalho...
Como é bom estar viva em 17 de setembro de 2006!

16 Setembro 2006

Só se for a dois


Dois dias diretos escrevendo aqui. Aqui: onde tudo em mim se torna palpável e, de certa forma, eterno. O ser humano sempre busca ser eterno, mas eu só escrevo quando não tenho motivo. Sempre foi assim. E acumulo no meu bauzinho quase 5 livros, desde a 4ºsérie quando a professora Suely me deu de prêmio um diário. Eu nunca mais me esqueci dela. Mas ela não se lembra de mim, não. As professoras nunca morrem, elas sim, são eternas...

Ouvi em algum lugar que o amor é uma tentativa de se tornar eterno para uma pessoa. Isso é feio dizer. Por que é que tanto se tenta chegar a um consenso sobre o que realmente são as coisas? O que realmente é um buraco negro? Qual realmente é o sentido da vida? O que é realmente o amor?

Relaxa... Para estar em sintonia com o universo de respostas é preciso não querê-las. O mundo é inteirinho um grande cu doce. É preciso desdenhá-lo. Fingindo que não quer nada, sorrateiro, assim de levinho, enfiar a mão e sair correndo. A vida, me disseram um dia, nos dá poucos presentes; se você deseja algum, continuou, é preciso aprender a rouba-los. Mas eu não concordo não. Eu sou que nem aquelas menininhas que esperam a vez na fila para ganhar a merenda. E pego só um lanchinho. E ao contrário do que me disseram, foi assim que várias pessoas me ofereceram sobremesas depois da merenda. Reconhecimento. Eu gosto disso.

Hoje é exatamente dois dias depois de quarta-feira. Fiquei esperando um telefonema. Mas como eu disse ontem, telefones imaginários não tocam.Ah, eu preciso relaxar. As possibilidades de felicidade são egoístas, meu amor: viver a liberdade, amar de verdade, só se for a dois.
Eu sou tão exagerada...

15 Setembro 2006

Inferências


Dramática é o que sou. Alucinada. Drogada. Ópio. O amor que eu finjo é o meu ópio. O amor que eu finjo que existe. Não há nada além de beijos e saliva. Nada. Mas eu continuo vendo flores. Eu vejo flores em você.

No banco do ônibus cai uma lágrima. Só uma. Porque é tudo falsidade e não se pode fingir duas lágrimas. Exagerada é o que sou. Jogada aos seus pés. Mas seus pés pisam o Cristo Redentor. E mando flores para você.

Como eu posso ser tão ridícula? Eu prometo que vou ficar quietinha. Eu juro.

Mas eu escrevo, e escrevo e não explico as inferências. Eu tiro inferências de tudo. Eu engulo meu prozac matinal com café preto e fico esperando fazer efeito. Fico viajando em frases de efeito, busco um mundo romântico e me esqueço que quanto mais alto, mais o ar é rarefeito.
E fico sem ar. Eu fico sem ar quando penso em você. A propósito, alguém tem um calmante?