
Será que vai dar?
Por quanto tempo você agüenta sem respirar?
Por quanto tempo, eu te pergunto.
Você me olha assim resignado, mas não fica nem dois minutos. Nem um eu diria. Que tal testar? Mas para quê? Se sabemos que não agüentaria... não, você não agüentaria.
Mas e se ao longo do teste você fique firme, acabe se sufocando e morra? Você ainda vai ficar olhando para mim, petrificado. Com uma dignidade de barão. Morto.
Quanto tempo você agüenta sem comer?
Mas sem comer nada mesmo. Nem dar uma mordiscada em algum chocolate com essência de morango. Não pode ser nada. Nem água, nem refrigerante.
E então? Quanto tempo você agüenta? Han?
E você dirá? Mas são coisa de subsistência básica, não dá para ficar sem. Será que amar é alguma coisa de subsistência básica?
O que eu sei é que quando estamos com fome, inventamos um prato, assim como a galera do sertão do nordeste inventa pratos com palma.
E quando não conseguimos, gritamos, berramos, num uníssono agudo inconfundível, como choro de fome de criança. A mãe sofre, a mãe fica louca. E dá o peito.
Ta tudo muito calmo por aqui.
Vou ali fora respirar um ar fresco.
E também preparei um jantar especial.
Você está servido?
Os peixes também amam.
Pergunta que não quer calar: Eu não sabia que o telefone tem campainha. Isso significa que quando damos um trote é como se apertássemos uma campainha e saíssemos correndo?
Resposta secreta: “E alguém dirá: se VOCÊ está com fome, por que VOCÊ não grita? Eu estou gritando. Olha só.”

