The Secret Sits
We dance round in a ring and suppose,
But the Secret sits in the middle and knows.
-- Robert FrostEu sou uma das poucas pessoas que ainda perguntam “e ae, tudo bem?” querendo ouvir uma resposta e não uma outra pergunta “tudo bem?”. Eu ouvi em algum lugar que não se responde uma pergunta com outra pergunta, mas não por isso. É só aquela vontade de saber se alguém de fato está bem, se acordou mal-humorada ou se teve a melhor transa da sua vida. E eu juro que não é curiosidade, é mais uma falta.
Eu sinto falta de uma conversa produtiva, sensitiva, onde as pessoas completam a fala das outras com a sua visão, mas sem entrecortar o assunto. As pessoas não se escutam mais. Elas só esperam a sua vez de falar.
Scaena 1:
Huguinhu: “Os meus professores são tão complicados. Aplicam as provas de forma a me deixar com mais medo das questões mirabolantes que da matéria que pouco sei. Pelo menos na minha aula de laboratório eu me saí bem e consegui mostrar para o tal baixinho que sabia como medir aquelas indefinições de energia. Prova mesmo só tem semana que vem, então to relaxado, melhor eu ir. Até”.
Sacena 2:
Zezinhu: “Obaaaaaaaaaa. Amanhã é feriado! Graças a Deus vou conseguir pegar meu carro e ir pras baladas ver se eu bebo alguma coisa que me faça ficar relaxado e pego alguma coisa que me faça ficar excitado. O problema é que logo depois já vem segunda com todas as coisas que esse nomezinho maldito portat, traz consigo. Bom, mas é isso, tem que aproveitar enquanto é tempo. Falows”.
Scaena 3:
Luizinhu: “Essa bolha do meu pé está me matando. Não sei como é que deixei crescer tanto! Isso porque eu estava usando tênis. Ah! Até que enfim chegou meu lanche, estava com fome, passei o dia inteiro sem comer e essa minha refeição terei de fazer em menos de 10 minutos, que já tenho aula. Vou indo, então, tchau.”
Scaena 4 (Huguinhu, Zezinhu e Luizinhu estão juntos em volta da mesma mesa):
Huguinhu: “Os meus professores são tão complicados.
Zezinhu: “Obaaaaaaaaaa. Amanhã é feriado!
Luizinhu: “Essa bolha do meu pé está me matando.
Huguinhu: Aplicam as provas de forma a me deixar com mais medo das questões mirabolantes que da matéria que pouco sei.
Zezinhu: Graças a Deus vou conseguir pegar meu carro e ir pras baladas ver se eu bebo alguma coisa que me faça ficar relaxado e pego alguma coisa que me faça ficar excitado.
Luizinhu: Não sei como é que deixei crescer tanto! Isso porque eu estava usando tênis.
Huguinhu: Pelo menos na minha aula de laboratório eu me saí bem e consegui mostrar para o tal baixinho que sabia como medir aquelas tais indefinições de energia.
Zezinhu: O problema é que logo depois já vem segunda com todas as coisas que esse nomezinho maldito portat, traz consigo.
Luizinhu: Ah! Até que enfim chegou meu lanche, estava com fome, passei o dia inteiro sem comer e essa minha refeição terei de fazer em menos de 10 minutos, que já tenho aula.
Huguinhu: Prova mesmo só tem semana que vem, então to relaxado, melhor eu ir. Até
Zezinhu: Bom, mas é isso, tem que aproveitar enquanto é tempo. Falows
Luizinhu: Vou indo, então, tchau.
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Bônus Extra: Recursos como esse de cena fatiada é utilizado pelo diretor de Crash, filme ao qual assisti com o Dicnus hoje (a platéia se enche de ternura) ::
Alguém já percebeu que ninguém mais escuta “zanzotro” (como diria minha vó). Ninguém mais se interessa pela conversa do outro, a vontade é falar de si mais e mais e a essa vontade é partilhada por todos da maneira mais gritantemente silenciosa que se pode imaginar.
Somos hoje todos almas rodeadas que gritam e esperneiam como um bebê. Ninguém fala nossa língua e nos entupimos de papinhas de chocolate, prozac, cocaína, trabalho, sexo... Nossa mãe morreu faz tempo e nem sequer nos ensinou a andar direito. Todos se trombam, mas não há contato algum. Somos impelidos por uma força maior que nos mantém juntos, porém desunidos.
- Será que alguém pode escutar essa alma solitária?
- Somos todos almas solitárias. Não podemos escutar você. Mas ouça o que eu digo...
- Espera, eu preciso te contar que...
FECHAM AS CORTINAS. PALMAS.
A PLATÉIA INTEIRA PEDE BIS E CONTINUA DE PÉ A APLAUDIR.
A CORTINA SE ABRE MAS NENHUM ATOR VEM PARA CUMPRIR OS AGRADECIMENTOS.
ANTES DISSO, CAI UM ESPELHO DO PALCO.
Eu ia ligar ligar pro CVV, para ver o que de fato eles (não)dizem, só para ter certeza de que existe alguma alma bondosa que deixou o telefone fora do gancho enquanto uma pessoa desabafa para não ter que lutar contra o demônio interior que é essa merda da dialética.