28 Abril 2006



Ninho

Eu vejo o seu cabelo desarrumado
Eu sinto seu cheiro de malícia
Eu ouço a sua respiração torporosa
Eu acho graça nessa condição
Eu vejo sua força de vencer
Eu admiro tudo isso em você
Eu sei quando está olhando para mim
Eu imagino tudo o que pensa
Eu acerto.
Eu vejo um futuro, passado, presente
Eu sei que você não se dá conta de nada disso
Eu sei dos seus desmazelos
Eu sei que você não sabe o que é desmazelo
Eu explico.
Eu vejo você por dentro e por fora
Eu te amo
Eu quero continuar um pouco mais
Eu sei que esse um pouco é “só um pouquinho”
Eu vejo você chegar
Eu vejo você me beijar
Eu vejo você rir
"..and I think to my self: What a wonderfull world!"

15 Abril 2006

Come as you are



The Secret Sits
We dance round in a ring and suppose,
But the Secret sits in the middle and knows.

-- Robert Frost




Eu sou uma das poucas pessoas que ainda perguntam “e ae, tudo bem?” querendo ouvir uma resposta e não uma outra pergunta “tudo bem?”. Eu ouvi em algum lugar que não se responde uma pergunta com outra pergunta, mas não por isso. É só aquela vontade de saber se alguém de fato está bem, se acordou mal-humorada ou se teve a melhor transa da sua vida. E eu juro que não é curiosidade, é mais uma falta.
Eu sinto falta de uma conversa produtiva, sensitiva, onde as pessoas completam a fala das outras com a sua visão, mas sem entrecortar o assunto. As pessoas não se escutam mais. Elas só esperam a sua vez de falar.

Scaena 1:
Huguinhu: “Os meus professores são tão complicados. Aplicam as provas de forma a me deixar com mais medo das questões mirabolantes que da matéria que pouco sei. Pelo menos na minha aula de laboratório eu me saí bem e consegui mostrar para o tal baixinho que sabia como medir aquelas indefinições de energia. Prova mesmo só tem semana que vem, então to relaxado, melhor eu ir. Até”.

Sacena 2:
Zezinhu: “Obaaaaaaaaaa. Amanhã é feriado! Graças a Deus vou conseguir pegar meu carro e ir pras baladas ver se eu bebo alguma coisa que me faça ficar relaxado e pego alguma coisa que me faça ficar excitado. O problema é que logo depois já vem segunda com todas as coisas que esse nomezinho maldito portat, traz consigo. Bom, mas é isso, tem que aproveitar enquanto é tempo. Falows”.

Scaena 3:
Luizinhu: “Essa bolha do meu pé está me matando. Não sei como é que deixei crescer tanto! Isso porque eu estava usando tênis. Ah! Até que enfim chegou meu lanche, estava com fome, passei o dia inteiro sem comer e essa minha refeição terei de fazer em menos de 10 minutos, que já tenho aula. Vou indo, então, tchau.”

Scaena 4 (Huguinhu, Zezinhu e Luizinhu estão juntos em volta da mesma mesa):
Huguinhu: “Os meus professores são tão complicados.
Zezinhu: “Obaaaaaaaaaa. Amanhã é feriado!
Luizinhu: “Essa bolha do meu pé está me matando.
Huguinhu: Aplicam as provas de forma a me deixar com mais medo das questões mirabolantes que da matéria que pouco sei.
Zezinhu: Graças a Deus vou conseguir pegar meu carro e ir pras baladas ver se eu bebo alguma coisa que me faça ficar relaxado e pego alguma coisa que me faça ficar excitado.
Luizinhu: Não sei como é que deixei crescer tanto! Isso porque eu estava usando tênis.
Huguinhu: Pelo menos na minha aula de laboratório eu me saí bem e consegui mostrar para o tal baixinho que sabia como medir aquelas tais indefinições de energia.
Zezinhu: O problema é que logo depois já vem segunda com todas as coisas que esse nomezinho maldito portat, traz consigo.
Luizinhu: Ah! Até que enfim chegou meu lanche, estava com fome, passei o dia inteiro sem comer e essa minha refeição terei de fazer em menos de 10 minutos, que já tenho aula.
Huguinhu: Prova mesmo só tem semana que vem, então to relaxado, melhor eu ir. Até
Zezinhu: Bom, mas é isso, tem que aproveitar enquanto é tempo. Falows
Luizinhu: Vou indo, então, tchau.

::Bônus Extra: Recursos como esse de cena fatiada é utilizado pelo diretor de Crash, filme ao qual assisti com o Dicnus hoje (a platéia se enche de ternura) ::

Alguém já percebeu que ninguém mais escuta “zanzotro” (como diria minha vó). Ninguém mais se interessa pela conversa do outro, a vontade é falar de si mais e mais e a essa vontade é partilhada por todos da maneira mais gritantemente silenciosa que se pode imaginar.

Somos hoje todos almas rodeadas que gritam e esperneiam como um bebê. Ninguém fala nossa língua e nos entupimos de papinhas de chocolate, prozac, cocaína, trabalho, sexo... Nossa mãe morreu faz tempo e nem sequer nos ensinou a andar direito. Todos se trombam, mas não há contato algum. Somos impelidos por uma força maior que nos mantém juntos, porém desunidos.

- Será que alguém pode escutar essa alma solitária?
- Somos todos almas solitárias. Não podemos escutar você. Mas ouça o que eu digo...
- Espera, eu preciso te contar que...

FECHAM AS CORTINAS. PALMAS.
A PLATÉIA INTEIRA PEDE BIS E CONTINUA DE PÉ A APLAUDIR.
A CORTINA SE ABRE MAS NENHUM ATOR VEM PARA CUMPRIR OS AGRADECIMENTOS.
ANTES DISSO, CAI UM ESPELHO DO PALCO.

Eu ia ligar ligar pro CVV, para ver o que de fato eles (não)dizem, só para ter certeza de que existe alguma alma bondosa que deixou o telefone fora do gancho enquanto uma pessoa desabafa para não ter que lutar contra o demônio interior que é essa merda da dialética.

03 Abril 2006




Só uma preguicinha gostosa de levantar da cama hoje.
(neh Má?)
Só um jeitinho diferente de olhar cada pessoa hoje.
Hoje, assim:
Futuro.