31 Março 2006

Love.after.dinner


Interior nordestino.
Cena principal: casamento de cordel, capela cheiinha de gente e um noivo indignado. A noiva se dirige aos convidados:

- Vocês me desculpem. O meu amor voltou. Eu vou toda vez que o amor me chama, feito um cachorrinho, mas coroada como uma rainha.
- Minha filha, dizia o pai da noiva, como é que vai deixar assim um casório? Esse rapariga vai te fazer sofrer de novo...
- Não importa! Eu quero queimar minha vida de uma vez só, num fogo bem forte. Embaixo ou em cima da terra, sem você, meu amor, estou morta.

Um brainstorm:(ontem): chinês-chuva-chacina-choro-chato-chamado-choldra-chibata-chilique-chave-choradeira.
(hoje): chance-charme-chegado-cheiro-chupada
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxiiiiiiiiuuuuuu...
chuveirada.

25 Março 2006

LIBERTAS QUAE SERA TAMEN

Qualé neguinho, qualé!?

Olha, não venha querer se consolar que agora não dá mais pé e nem nunca mais vai dar. Também, quem mandou se levantar? Quem levanta para sair perde lugar.

Quaquaraquaqua, quem riu.
Quaquaraquaqua, fui eu.
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Não, não, não. Nem to rindo não.
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Mudar, dizem. Mas como?
Se a cada novo recomeço
Está fadado a um novo recomeço?
Se a solidão me invade tão só
E eu não enxergo mais nada
É tudo opaco, é tudo nada, é tudo pó

Mudar, digo. E vou.
Me libertando das infiéis promessas
Trocando a cor e a roupa às pressas
Buscando o verdadeiro mais íntimo
A desvencilhar, a desmamar, a esquecer
Algo que se tornou tão ínfimo

É hora de sair para suar (eca).
Bom sabadão ;)

Sensação do dia: “No começo dói. Parece meio pecado, meio profano, meio sagrado. Mas é a única maneira de se libertar”.

20 Março 2006

DIA DE HOJE



A coisa é mais ou menos assim:
A face roxa é a mocinha; a face branca é o rapaz. Os dois se conhecem num canto escuro e se entrelaçam as pernas enquanto ainda é tudo novo.
Os olhos são novos, a comida é nova, até o cheiro é aquele de coisa nova, de evangelho, de lírios matinais. O rapaz brinca por entre os cabelos da mocinha, que por sua vez, brinca com o nariz do rapaz. A parte do corpo varia muito. Mas querem muito se conhecer. E fazem disso o seu parque de diversão.
Até que chega um tempo, tempo de depuração, onde não se sabe muito bem quem é o rapaz ou a mocinha da história, tanto que as duas faces já se misturaram. E nesse misto de identidade, o roxo é pálido e o branco perde a sua candura.
Com o tempo, o amor perde a sua maiúscula maior. Veja aquela teoria da caverna de Platão, que resumida, fica mais ou menos assim: “todos os homens estão dentro de uma caverna acorrentados e tudo o que vêem e sentem são apenas sombras projetadas nas paredes da caverna. Dessa forma, o amor que sentimos na verdade não passa de uma sombra, todos os nossos sentimentos são apenas sombras projetadas, não é o real. E cabe a cada um se soltar das correntes e ir atrás dos Sentimentos reais”.
O fato é que, com o tempo os homens, por questão de inércia, adentram na caverna de Platão, e ficam lá por pura e espontânea vontade. Não se sabe conviver com o Amor verdadeiro por muito tempo, porque todo ele é composto de novidade: quando ela se torna usual a ponto de se confundir com a novidade do outro é porque as duas faces se tornaram uma só. E isso é triste.
Perde-se o frescor da manhã e se vive sob o calor preguiçoso do Sol da tarde. É verão.
Talvez tudo isso seja mesmo, o amor, só para relembrar.
E, então, para tentar animar a situação, começa-se as brigas de ocasião. É mais ou menos assim: o roxo fica brava por sabe-se-lá e o branco, sentindo-se culpado a enche de mimos – ou pelo menos é isso que se costuma fazer. Quando já não tem mais ânimo para mimar, é porque o fato em si já está encerrado. Mas voltando...
O roxo, vendo o quanto é bom ser mimada, aproveita da situação e faz o seu deleite do mês. Mas é nesse exato momento que o branco, irritado e impaciente, inverte a situação e torna-se a ser o bravo da história. E a roxa, assustada, é quem o mima dessa vez. E nesse círculo vicioso não há vencedor algum. Só... desgaste.
Será que esse brinquedo de corda, que é o coração, é movido somente pelo novo? Ou será ilusão quando nos sentimos felizes?

Eu juro que eu não queria ter descoberto tudo isso. Na verdade eu acho que já sabia. Mas me esqueço toda vez que fito uns tais olhos...

Olha, no livro de Goethe, Werther descreve o amor da maneira mais encantadora e melíflua que já vi. Atente para o detalhe que, quando escreveu isso, Werther estava no COMEÇO da sua paixão.
“Foi o mais magnífico nascer do sol. A floresta úmida e os campos frescos! As nossas acompanhantes adormeceram. Ela me perguntou se eu não queria fazer o mesmo; poderia ficar despreocupado com ela. “Enquanto vir esses [os dela] olhos abertos”, disse-lhe e fitei-a “não há perigo de fechar os meus”. Mantivemo-nos assim até a sua porta (...). Deixei-a, então, pedindo licença para vê-la nesse mesmo dia; ela consentiu e eu fui... e desde então, o sol, a lua e as estrelas podem fazer os seus movimentos como bem entenderem, já não sei mais quando é dia ou noite, e o mundo inteiro se dilui à minha volta.“

Quando a face roxa mostra o texto para a face branca, a fim de resgatar alguma aurora perdida, esta não lhe dá muita atenção. É claro, já está no FIM.

15 Março 2006

PÉ-DE-PATO; PÉ-DE-BAILARINA



Apenas algumas notas de roda-pé enquanto me desvencilho das teorias gramaticais de Saussure (lê-se Socír), Chomsky, Bopp, etc...

<<< Resolvi coçar de vez. Coçar no sentido gostoso da palavra, uma vez que me cortaram a bolsa da faculdade quando me preparava para bandejar. Bem na hora, a catraca ficou vermelha e tive que pagar os 2 reais como uma aluna normal. Antes eu era VIP. Agora, coço. Antes eu tinha uma proposta de trabalho exemplar. Agora, me dedicarei exclusivamente aos estudos. Não sei ao certo se isso é coçar. Mas a palavra me parece cabível :P

<<< Este ano comecei a buscar alguma coisa que ficou perdida entre os galhos cheios de formiga da chácara onde morei por uns meses. Lá ficou uma ideologia, uma fé num sonho inocente de pureza, bondade e verdade acima de tudo. De qualquer forma, está tudo cá dentro e vou esmiuçar minhas vísceras cheias de luz. Dentro dessa proposta está também alcançar o elo perdido, o meu elo perdido de referência que está ora em São Paulo, ora em Mogi Guaçu. Eu diria que esse é o meu maior sonho. E nada me confortaria tanto quanto um violão.

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<<< Coisa que me chateou muito: fila do bandejão. Como as pessoas me subestimam - ou são cara-de-pau mesmo – é uma coisa que me intriga. É aquele papinho xoxo e quando você vê, encontra uma porrada de gente que só queria mesmo era um lugar na fila. Mas o que mais me chateia é que eram amigos. Amigos de cor.

<<< Outra boa atitude que talvez tenha uma metade também nos galhos é aquele negócio “falou-tomou”, que também é algo que vou incrementar ao meu sistema-de-atitudes-corretas-sob-meu-ponto-de-vista. Assim, não ficam mágoas. O ato se consome todo ele naquele instante, e isso é tão caliente...

<<< Ah! Para finalizar, minhas sinceras condolências ao Sr. Inaugurador de Daslu Redutor de Verbas Universitárias Geraldo Alckmin. Ou será que elas vão para o Brasil?

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Cena do dia: Eu e Victor jogando Street Fighter no Habib’s meia-noite. Detalhe: em cima do fliperama, em letras garrafais proclamava-se: JOGOS APENAS PARA MENORES DE 10 ANOS.

10 Março 2006

Sobre Cotas e blá blá blá



“Não se pode forçar a diversidade criando, entre os indivíduos, diferenças das quais eles sempre quiseram escapar. É uma péssima idéia adotar no Brasil medidas contra o racismo criadas para o contexto dos Estados Unidos, como o sistema de cotas. A realidade racial brasileira é muito diferente. Há duas diferenças básicas. A primeira é que no Brasil a classificação racial é feita com base na aparência do indivíduo. Nos Estados Unidos, é a ancestralidade que conta. Aqui, alguém com a aparência do presidente Bill Clinton pode ser considerado negro. Já no Brasil, alguém que se pareça com Clinton será ridicularizado caso se identifique como negro. A segunda diferença é que, desde a abolição da escravatura, no Brasil nunca mais houve segregação racial oficial. Nos Estados Unidos, em muitos estados, os negros eram proibidos por lei de entrar em determinados lugares e de exercer determinadas funções até os anos 60. Por isso, não é uma boa idéia repetir a experiência recente americana sem levar em conta as peculiaridades brasileiras. O problema das cotas é que a universidade não terá utilidade alguma para o aluno se ele não estiver preparado.”
------------- Filósofo Kwane Anthony Appiah, 51 anos, Ph.D. por Cambridge e ex-professor de Harvard, lecionando em Princeton.
E mesmo assim, não é que o cara é espertinho?


04 Março 2006


Mham, mhham, mhaaam...
Final de semana é bom porque a comida é sempre diferente. No meu caso, tem marmitex gostosa de feijoada, cujo gosto ainda está na boca. Feijoada com coca gelada nesse calorão que se faz por aqui.
Mas ô diazinho calmo que se faz, sô! Aqui nem parece cidade grande, não. É uma televisão antiga na sala, ao redor da qual a família se senta para aquela programação especial-patética de fim de vida que a televisão não cansa de exibir. É sempre o mesmo programinha chato, com um apresentador otário que consegue audiência mostrando gente doente, sem braço, pobre tentando ganhar 10 mil reais fazendo malabarismos; ou ainda aquelas crianças prodígios que não sabem falar Pindamonhangaba. Ou sabem. Elas fingem que não sabem. As crianças de hoje sabem muito bem que os adultos preferem que elas se vistam como adolescentes e falem “elado”. Essas crianças rebolam exatamente como a loira do Tchan (que agora teima em decorar falar de teatro) enquanto as mães, no camarim, lambuzam suas caras com rouge vermelho para que elas fiquem atraente.
Dae depois vem a galera reclamando do pobre coitado do frango cheio de hormônio que está fazendo com que as crianças amadureçam mais cedo... Tsaaaaaaa. Agora é o frango, sei.

Ave!! Mas como eu estou antipática e caretona!
É que singularmente este sábado está com cara de domingo. Não que eu não goste de domingo, mas cada dia da semana tem a sua particularidade. Assim como as estações do ano...

Dia 6 começam as minhas aulas. Estou tão ansiosa... Letras. Acho que vou gostar muito.
O primeiro dia de aula sempre me envolveu. Desde quando eu tinha que usar uniforme e minha mãe me deixava na escolinha. Eu punha a minha melhor roupa, penteava meu cabelo até não agüentar e ficava toda cheirosa.
Assim é a primeira vez: esse misto de novidade e insegurança que eu adoro tanto.