28 Fevereiro 2006

Por que é mesmo que à noite a dor é mais latente?


Carnaval em Peruíbe, acampando com os amigos. Lindo, eu adorei demais.


Eu não sei ao certo como o mundo se originou ou como o descobriram; mas sei como termina. E é mais ou menos assim:

Nos olhos não há lágrimas
Toda a dor fica contida bem pequenina
Contida no coração
Dói só um pouquinho
Há a esperança de dias melhores
Não há despedida
Nem aperto de mão
Nem ultimo beijo
Nem ultima transa
Não há lágrimas, simplesmente
Há um ódio, ou rancor, ou amor
E tudo isso se mistura
E fica tão grudado
Que explode
E morre.


Música de fundo:can't take my eyes off of you/ I can’t take my mind off of you...
But I keep trying.

22 Fevereiro 2006

Sem sugestões de uso ou modus vivendi, nada tenho a escrever que não me perturbe a cabeça demais para que eu escreva .
A parideira me cobre de insultos. Mas eu to segurando firme...



Enquanto isso, no show do U2.
Enquanto tocam músicas lentas e românticas, Katilce dança funk com Bono Vox.

(Olha viu... não é por nada não. Mas quando a segurança funciona, ninguém é pisoteado, nem baleado, quando a organização se arranja e o palco fica perfeito, som, iluminação, câmeras, etc, tem sempre alguém para mostrar que alguma coisa de errado tem no Brasil: enquanto tocavam músicas lentas, românticas, a Katilce dançava funk com o Bono.)


Lembrança recente: “AHHHHHHHHHHH!!! TÁ DANDO CHOQUEEEEEEEEEEE....AHHHHHHHHHHHHHH”

14 Fevereiro 2006

Oui, on a le droit de caricaturer Dieu


“O congresso não legislará no sentido de estabelecer uma religião, ou proibindo o livre exercício dos cultos; ou cerceando a liberdade de expressão, ou de imprensa”- Primeira Emenda à Constituição de 1789 dos Estados Unidos.

O grande orgulho do homem moderno é, sem dúvida, o avanço tecnológico, que possibilitou a tal globalização. Com ela, todos estão em contato simultâneo com qualquer parte do mundo, e, assim, pode se difundir idéias, opiniões, notícias, etc como se esse conhecimento estivesse fisicamente ao alcance da mão.
Mas há ainda um vazio, um grande hiato intransponível que separa o Mundo Ocidental do Mundo Islâmico: o choque cultural.
Não creio que alguém no planeta tenha desconhecido a publicação das tais charges do profeta Maomé no pequeno jornal dinamarquês. E mais notória ainda foram as conseqüências desse ato tão dispensável: total repudio aos produtos dinamarqueses ( e ocidentais, por contaminação), reforço da dicotomia Mundo Ocidental x Mundo Islâmico e a impossível contenção terrorista, hoje muito mais ameaçada com o presidente-bomba do Irã filiado ao Hamas.
E vem à tona, muito mais problematicamente, se a certeza intocável da Liberdade de Expressão deve ser praticada na sociedade. E há quem diga que sim. Pois bem, vamos lá...

O negro sofreu muito até a sociedade evoluir ao ponto básico de aceitar a igualdade universal; os judeus foram oprimidos há menos de 50 anos e ainda ecoam os gritos sufocados dos campos de concentração; os gays estão entrando agora e terão muitas lutas pela frente até que a sociedade se desprenda dos dogmas impostos e tome para si aqueles 3 princípios básicos que fizeram o mundo saltar tão alto; as mulheres hoje sim, alcançaram um bom posto, salvo algumas pesarosas exceções. Os muçulmanos são apenas mais um “povo de minoria”, igual pela violência sem escrúpulos e desigual em justificá-la por meio da religião, um guerra santa. Sendo assim não há conversa e qualquer atitude que vá de encontro com a interpretação dos escritos sagrados é tida como ofensa e deve ser banida.
As charges feriram a ideologia desse povo e este é o limite da Liberdade de Expressão. Parece contraditório, mas é complementar. Não pode haver uma liberdade totalmente escusa e despreocupada com os sentimentos alheios, quaisquer que sejam! O mundo não está preparado para assumir tamanha responsabilidade por seus atos. Justamente porque, como no caso, o que um exemplar de um grupo pensa é tomado como metonímia: o povo está queimada a bandeira da Dinamarca e não a foto do cartunista. Percebem a dimensão do problema?
E dirão: mas conter a expressão de opinião é ditatorial, é despótico! Se as charges estivessem inflamando um negro, por exemplo, seria um atentado calamitoso!! Se fosse contra um rabino, jamais teriam sido publicadas (dada a recente dolorosa lembrança do anti-semitismo na década de 40)!!
A liberdade de expressão não deve ser o pilar dos direitos fundamentais num mundo como o nosso. O respeito às diversas culturas é um bom começo.

Um menino com cabelos de ninho de passarinho me ensinou que somos responsáveis por tudo o que dizemos, pois tudo o que expressamos entra em contato com o universo do outro e pode afetá-lo. É preciso pensar antes de falar. Eu, muito cabeça-dura, demorei para ver que eles estava certo.
O mundo podia aprender essa lição.

04 Fevereiro 2006

Estão todos surdos às margens do Ipiranga

Boa tarde.
O calor que se faz somado a alguma indisposição dos meus olhos me impediram de escrever por um tempo. Que para mim foi longo. Mas cá estou, como a boa filha que sempre à casa torna.

Daqui a alguns meses começará a corrida armamentista eleitoral presidencial. Ela já começou, de certo modo, nos discursos do presidente e em alguns reclames partidários entre o jornal e a novela. E esse clima me contamina desde já e passo a prestar mais atenção ao mundo político, mais do que o tempo considerável que despendo para tal. Eu não sei o que fazer.A tão sonhada Terra do Nunca prometida pelo PT durante uma década de candidatura transformou-se numa verdadeira Babilônia de corrupção e descaso com a população tão esperançosa. Lula, símbolo mor do partido nunca antes testado, sequer pronunciou um descontentamento frente à crise do país, sequer explicou para os 52 milhões de brasileiros que nele acreditaram e com ele choraram na posse presidencial. O Lula me decepcionou principalmente nesse ponto: a falta de sensibilidade. E ainda mostrou-se inapto para o cargo máximo de chefia do Estado nos discursos que envergonhou o Brasil no mundo inteiro. Governando como a rainha da Inglaterra e deixando Zé Dirceu como primeiro ministro. Será que o partido que sempre se mostrou diferente – e por isso foi eleito historicamente – errou ou tudo isso faz parte da história?
Talvez Duda tenha realmente feito um bom trabalho, porque mesmo assim, eu não enxergo tanta maldade no ex-torneiro mecânico. Eu não consigo enxergar e acredito que, mesmo assim, foi um bom governo ao que me cabe. Porque não me cabe se ele gosta ou não de empresas tercerizadas, se ele prefere aquecer o mercado externo em detrimento do interno, se ele faz péssimos acordos com o Mercosul, etc. Tudo isso fica além do que me cabe, porque me atinge indiretamente. E, no que me cabe, vejo progresso no ProUni, um excelente programa de inclusão social sem cotas que coloca realmente o estudante numa universidade, eu vi isso acontecer; e acredito nos programas sociais dele. Mas...
Estou preocupada porque é a partir do meu voto, e somente dele, que as mudanças podem ser feitas. As figurinhas de candidatura não me são muito sortidas e mesmo assim não posso não votar, colocando branco ou nulo num gesto que de nada é protestante ou prestativo. Claro que se as normas fossem outras, e caso a maioria branca ou nula ganhe, uma nova chapa para eleição fosse feita, aí sim seria inteligente. Mas na conjuntura atual, é preciso escolher. E o nosso voto é a nossa força.
Voltemos a 1791, quando foi promulgada a primeira Constituição da França que resumia as realizações da Revolução, implantando uma monarquia constitucional. A carta estabelecia uma clara separação entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e concedia participação na vida política somente aos cidadãos ativos, que pagavam impostos e possuíam dinheiro ou propriedades. Era o voto censitário.Hoje eu quero implementar novamente o voto censitário, sem medo de ser separatista ou preconceituosa. Colocar em vigência um novo código eleitoral que prevê somente válido o voto dos cidadãos com algum senso político. Seria o voto (S)ensitário. O governo disponibilizaria à parte uma Tv, rádio e um periódico eleitoral, com tempo igual entre todos os candidatos, sem nenhuma cobrança. Não mais seria permitido fazer qualquer outro tipo de propaganda eleitoral, nem distribuição qualquer de presentes, tampouco folhetos informativos. Toda a campanha seria feita pelos vetores comuns de informação que serão independentes: nada de intervalo na novela ou no programa de rádio, o acesso a essas informações seria facultativo aos cidadãos (se é que os posso chamar assim), do mesmo modo que facultativo também seria o voto, o qual só deve ser levado em conta quando é feito por Cidadãos. Não é segregação intelectual, é só uma forma inteligente de escolher nossos representantes.